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Estética em Hegel — Concepções usuais da arte e o princípio da subjetividade na pintura

 Como todo ser humano que se dá ao trabalho de escrever, escrevo para ser lido. Eu sou sempre relapso em relação a delimitação dos temas tratados aqui no médium, mas como pode ser notado, o material que se encontra aqui é majoritariamente voltado para a arte cinematográfica, mas como é apenas minha vontade que me impede aqui de escrever o que eu quiser… Vamos nesse texto falar sobre Concepções usuais da arte e o princípio da subjetividade na pintura partindo da estética Hegeliana.


Observação importante: Em Hegel, Espírito = Mente, consciência (Geist em alemão)

Hegel, na introdução do volume I de seu “Curso de estética” nos apresenta as seguintes determinações quanto à concepção usual da arte:

  • A obra de arte não é produto natural, mas é produzida pela atividade humana.
  • Ela é feita essencialmente para o homem e, na verdade, extraída em maior ou menor grau do sensível, pois se destina aos sentidos do homem.
  • Ela possui uma finalidade em si mesma.
Esse primeiro ponto da concepção usual da arte que Hegel apresenta se refere à obra de arte como produto da atividade humana, temos a possibilidade dessa atividade, enquanto produção consciente de algo exterior, poder ser objeto de saber e de prescrição, ser aprendida e seguida por outro, pois o homem é capaz de imitar o que outro homem faz, desde que conheça bem os procedimentos. Em seguida, Hegel afirma que essa tendência foi abandonada, tal que a obra de arte não foi mais vista como produto de uma atividade universal humana, mas sim “como obra de um espírito totalmente dotado de modo peculiar que, dá livre curso à sua sua particularidade e a uma energia natural específica”(HEGEL, 2001, p. 49). Definiu-se aqui a obra de arte como produto do gênio e do talento, sendo que, se considera talento uma aptidão específica e gênio uma aptidão universal.

Esse primeiro ponto da concepção usual da arte que Hegel apresenta se refere à obra de arte como produto da atividade humana, temos a possibilidade dessa atividade, enquanto produção consciente de algo exterior, poder ser objeto de saber e de prescrição, ser aprendida e seguida por outro, pois o homem é capaz de imitar o que outro homem faz, desde que conheça bem os procedimentos. Em seguida, Hegel afirma que essa tendência foi abandonada, tal que a obra de arte não foi mais vista como produto de uma atividade universal humana, mas sim “como obra de um espírito totalmente dotado de modo peculiar que, dá livre curso à sua sua particularidade e a uma energia natural específica”(HEGEL, 2001, p. 49). Definiu-se aqui a obra de arte como produto do gênio e do talento, sendo que, se considera talento uma aptidão específica e gênio uma aptidão universal.

A representação de obras de arte como um produto da atividade humana se refere a maneira como a obra de arte se posiciona em relação aos fenômenos exteriores da natureza, de modo que o produto da arte humana é inferior ao produto natural, devido ao fato de que a obra de arte é desprovida de sentimento em si mesma, vista como algo exterior e que não possui vida, entretanto, que alcança uma certa vitalidade aparente em sua superfície:
Mas não é este o aspecto da existência exterior que torna uma obra um produto da bela arte; ela só é obra de arte quando brotada no espírito, também pertence ao terreno do espírito, foi batizada pelo espiritual e somente expõe aquilo que é formado em sintonia com o espírito. (HEGEL, 2001, p. 51)

O valor espiritual, de caráter individual que existe em uma ação é apreendido, se sobressaindo de modo mais puro e transparente do que uma atividade ou intenção não artística, por isso, a obra de arte se mostra superior ao produto natural, dado que o produto natural não faz essa passagem pelo espírito, assim, tudo que apresenta o espiritual é melhor do que qualquer coisa que se mostra apenas natural, pois o que é natural não exprime ideais divinos como a arte é capaz de fazer, aliás, um bom exemplo disso é a pintura onde uma paisagem é apresentada com detalhes ricos em sentimentos e conhecimentos, desse modo, a pintura como obra do espírito assume uma posição de superioridade em relação a uma paisagem natural. Essa superioridade da obra artística talvez possa ser posta em dúvida, caso se considere que a natureza e seus produtos são obras de Deus, e em contraste, a arte é apenas um produto humano. Reduzir o natural enquanto produto divino e o artístico limitado pela finitude humana é um equívoco, pois dessa forma, se exclui a atuação de Deus no homem e por meio do homem: 

No homem não há apenas coisas divinas, mas o divino é no homem de tal forma ativo que ele é, de um modo muito diferente e superior, mas adequado à essência de Deus do que quando se manifesta na natureza. Deus é espírito e só no homem o meio por onde o divino passa tem a Forma do espírito consciente que se produz de modo ativo. […] Assim, Deus é tão ativo na produção artística, quanto nos fenômenos da natureza. (HEGEL, 2001, p. 51–52)

Agora, no que se refere a necessidade, pode-se dizer que, a necessidade da arte está na condição do homem de ser dotado de pensamento, assim a necessidade universal da arte é a necessidade racional que o homem tem de elevar o mundo interior e exterior a uma consciência espiritual, no qual, tomando a posição de objeto, ele reconhece o próprio si-mesmo, ou seja, transforma o que é, para si. Afirmar que a arte é produzida para o sentido do homem, se considerarmos que a bela arte está destinada a despertar o sentimento de agrado, tal que despertar sentimento poderia ser visto como fim único da arte, é visto por Hegel como algo problemático por conta do caráter de indeterminação do sentido agradável, já que ele varia da particularidade individual; contudo, o belo é produzido para o espírito e para o espírito e o belo natural é somente um reflexo do belo pertencente ao espírito. A beleza artística é, portanto, uma manifestação do divino.

Hegel chama de “as 5 belas artes” a arquitetura, escultura, pintura, música e poesia. Cada qual com suas particularidades, sendo a pintura a primeira manifestação da arte romântica. A pintura é abordada por Hegel no primeiro capítulo da terceira sessão do “Cursos de estética III”. Logo no início do capítulo ele afirma que a pintura nos é mais familiar que a escultura, pois na escultura não há um desenvolvimento de um caráter subjetivo, para que esse caráter ocorra, deve-se “passar para a atividade e a ação no exterior, para a particularização e o aprofundamento do interior. (HEGEL, 2002, p. 195), assim o princípio de subjetividade nos faz pela primeira vez (considerando a hierarquia de classificação das belas artes) ver nos produtos da pintura o que vemos em nós mesmos além de tudo aquilo que nos é ativo. Tal princípio de subjetividade contido na pintura é o que a faz superior à escultura, de modo que, como dito antes, a pintura se torna, devido a esse princípio, a primeira dentre as artes românticas, seguida pela música e poesia.

O Princípio de Subjetividade na pintura é o fundamento de particularização, somado aos elementos que antes estavam em duas artes distintas; o ambiente exterior (Arquitetura) e a forma em si mesma (Escultura): 

A pintura insere suas figuras em uma natureza exterior ou ambientes arquitetônicos inventados por ela em sentido idêntico, e sabe fazer dessa exterioridade um espelhamento ao mesmo tempo subjetivo por meio do ânimo e da alma da concepção, na medida em que ela sabe se colocar em relação e sintonia com o espírito das formas que nisso se movem. (HEGEL, 2002, p. 196)

Portanto, o caráter “mais subjetivo” da pintura se dá a partir de seu suporte material: 

Mas que a pintura deva exigir esta espécie mais subjetiva de animação, isso já reside em seu material. Seu elemento sensível, a saber, no qual ela se move, é a difusão pela superfície e a configuração por meio da particularização das cores, por onde a Forma da objetividade, tal como ela é para a intuição, é transformada em uma aparência artística colocada pelo espírito no lugar da forma real mesma. (HEGEL, 2002, p. 199)

Referências: 

Cursos de Estética I. Tradução de Marco Aurélio Werle. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2001.

Cursos de Estética III. Tradução de Marco Aurélio Werle e Oliver Tolle. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2002.

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