Um recorte da louca subcultura regada a sexo e drogas da costa californiana do início dos anos 70. Um thriller estranhamente cômico que subverte o cinema noir investigativo.
“Vício Inerente, adaptação do romance homônimo do Thomas Pynchon realizada por Paul Thomas Anderson.”
Na superfície, “Vício Inerente” é uma história policial com um detetive particular, Doc Sportello (Joaquin Phoenix), que periga ser o personagem mais louco desde o Dude que Jeff Bridges imortalizou em “O Grande Lebowski” (1998), dos irmãos Coen. Mas o filme, dirigido pelo talentosíssimo Paul Thomas Anderson (“Boogie Nights”, “Sangue Negro”) e adaptado de um romance de Thomas Pynchon, é muito mais que isso. É um mergulho em 1970, quando o sonho hippie de paz, amor e LSD já tinha sido substituído pela paranoia e conflitos que desembocariam em Watergate e, depois, pela guinada à direita da era Reagan. Foi o ano em que a América percebeu que o mundo era cinza, não tecnicolor.
Não atoa que os personagens parecem perdidos. O país estava assim. Quando Doc recebe a missão de procurar uma ex-namorada, Shasta (Katherine Waterston), que vivia um romance proibido com um misterioso magnata, Mickey Wolfmann (o excelente e sumido Eric Roberts, irmão de Julia), sua vida entra numa espiral descendente e lisérgica, em que ele encontra dentistas traficantes (Martin Short, engraçadíssimo), um policial barra pesada (Josh Brolin), um músico/informante do FBI (Owen Wilson) e uma procissão de malucos que são típico Pynchon.
Joaquin Phoenix mergulha em seu personagem chapado e paranoico acompanhado de grandes nomes como: Josh Brolin, Katherine Waterston, Jena Malone, Benício Del Toro, Reese Witherspoon, Maya Rudolph e até Eric Roberts e Owen Wilson.
O filme cumpre o que propõe, assim como a literatura densa de Phynchon, abarrotada de diversos assuntos e abordagens, o filme também segue essa confusão lisérgica. No fim, chapamos e nos perdemos como Doc Sportello (Joaquin Phoenix) nesse “lysergic groove” que é “Vício Inerente”.
A ressaca bate e bate forte, vou dar um um grande gole na cerveja e nos vemos na próxima…até mais!! Só não tome chá de fita…Hey amigo, volte na próxima semana…




0 Comentários