Esse é o tipo de papo que eu possivelmente levantaria na mesa de boteco já bêbado e com uma cerveja na mão. Mas como esse tipo de recreação boêmia está não recomendada devido a esse tempo de caos absoluto (Bolsonaro Genocida) esse texto foi originalmente escrito no dia 21/12/2020 para o meu amigo Leandro Nunes, pois eu não conseguia não falar sobre isso logo após assistir a esse filme.
Observação importante: O texto está escrito da mesma forma como foi enviado para o Leandro, (que com toda certeza deveria ter sido uma conversa de bar) e sim, esse tipo de lampejo é bem frequente, acho que até merecem uma sessão especial aqui no blog.
Leandro, cê percebeu que o nome TENET é um palíndromo, é lido da mesma forma de trás pra frente, assim como ler “subi no onibus”, ovo… Então, não sei se você pegou esse insight, mas quando o filme termina, entendemos algo curioso, o filme não tem começo e nem final…é um ciclo eterno mas que pode acontecer de maneiras diferentes, mesmo que algumas coisas nunca mudem. Se você prestar bem atenção, dá pra ver que se você assistisse o filme do final para o início a narrativa seria a mesma. Caaaaara, achei isso genial, porque a forma como a narrativa foi construída casa perfeitamente com os conceitos ficcionais abordados. A narrativa do filme é um “quadrado Sator”. Esse ai da imagem abaixo:
Sobre a forma que o filme aborda o fluxo de tempo casa muito bem com as principais ideias de Santo Agostinho sobre o tema. O tempo buscando entendê-lo a partir dos referenciais que o tomam como elaboração subjetiva, ou seja, como não possuindo qualquer realidade fora do sujeito. E é isso que vemos no filme, os objetos são “invertidos pela radiação”, mas só andam para trás no fluxo temporal se houver interferência do sujeito, ou seja, o sujeito deve perceber e experienciar, deve ter relação de causa e efeito em relação ao objeto.
Santo Agostinho diz que o passado não existe mais, o futuro ainda não chegou e o presente torna-se pretérito a cada instante. O que seria próprio do tempo é o não ser. O passado existe, por força de minha memória, no presente. Da mesma forma, o futuro existe, por força da expectativa de que as coisas ocorrerão, no presente. E o presente seria a percepção imediata do que ocorre. Os tempos são três: presente das coisas passadas, presente das coisas futuras e presente das coisas presentes. (Só existe presente nessa porra, ou seja, o tempo só é presente dividido em três tipos) Portanto, o tempo é subjetivo, pois o modo como nos referimos às coisas depende totalmente de elementos internos (memória, expectativa, sentimento etc). e JUSTAMENTE ISSO QUE VEMOS NO FILME; a cada momento os personagens estão preocupados com o que podem lembrar, com o que pode ser dito, com o que pode ser sentido, pois tudo isso interfere no fluxo temporal do longa, pois como disse Santo agostinho o modo como nos referimos a ele depende desses elementos. É justamente por isso que o personagem principal do longa se chama de “O PROTAGONISTA” pois, todo o fluxo temporal se liga a ele como se ele fosse o Deus criador “daqueles” tempo, o vilão tbm atua como um “outro Deus”, enquanto um é o “DEUS CRIADOR”, o outro é o “DEUS DESTRUIDOR”. “não houve tempo nenhum em que não fizésseis alguma coisa, pois fazíeis o próprio tempo”.
“Em voz alta dizem-nos que foram criados, porque estão sujeitos a mudanças e vicissitudes”. Somente as coisas criadas por Deus estão sujeitas à relação de sucessão temporal. O criador constituiu todas as coisas pela palavra (verbo) e estas palavras foram pronunciadas eternamente, pois nunca se acaba o que estava sendo pronunciado nem se diz outra coisa para dar lugar a que tudo se possa dizer, mas tudo se diz simultânea e eternamente. Se assim não fosse já haveria tempo e mudança, e não verdadeira eternidade e verdadeira imortalidade.” (Santo Agostinho no livro Confissões)
Por isso que quando a Kat está para ser morta ela liga pra ele dizendo hora e lugar e quando ela pergunta o porquê, ele responde: “A POSTERIDADE”. E como Deus daquele mundo, o que é dito em voz alta está sujeito a mudanças, é por esse motivo que o personagem do Robert Pattinson não disse pra ele quando viu o eu invertido dele; “A ignorância é uma arma” e existem coisas que não podem ser ditas.


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