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| Fogo contra fogo (Heat) |
“Em Cena” é uma série de textos que estou estreando agora, serão textos breves em que me darei ao trabalho de esmiuçar detalhadamente uma única cena, (ou algumas cenas hahaha, mas tentarei me ater ao minimalismo).Para esse primeiro texto dessa minha nova série de textos, vamos tratar de uma cena incrível presente no filme Fogo Contra fogo (Heat) de 1995. Uma obra prima Neo-Noir dirigida por Michael Mann, estrelando grandes nomes como: Robert Deniro, Al Pacino e Val Kilmer. Essa cena em questão, se inicia no trecho de 1 hora e 11 minutos, ela é sem dúvidas a cena mais importante do filme, mostrando de maneira primorosa a dualidade dos dois personagens principais. Então bora lá… AH, E LEMBRANDO: SPOILERs!! Pois isso aqui é uma análise de cena. Quem tiver interesse em assistir, o filme está disponível no Amazon Prime Vídeo.
”Fogo Contra Fogo” é estruturado como um estudo de personagem, mas aqui, duplo, dedicando peso narrativo igual às experiências de Hanna e McCauley enquanto eles circulam, evitam e rastreiam um ao outro. Gradualmente, fica claro que esses homens dos lados opostos da lei não são opostos, mas imagens espelhadas um do outro: ambos são movidos por uma ética orientadora existencial que tem precedência sobre todos os outros aspectos de suas vidas; ambos são afetados por sentimentos de desconexão e alienação; ambos tentam superar a solidão por meio de relacionamentos românticos ou/e familiares, mas no final, os dois acabam sendo vítimas de auto sabotagem.
Quanto mais tempo McCauley e Hanna passam estudando o comportamento um do outro, mais eles começam a se olhar com um sentimento de admiração mútua; eles reconhecem que há semelhanças profundas em suas inclinações e situações, mesmo que as estruturas maniqueístas da sociedade em que estejam aprisionados signifique que são forçados a se verem como oponentes. Quando Hanna e McCauley entram em contato um com o outro, os papéis socialmente construídos de “policial” e “criminoso” se desintegram, à medida que os protagonistas construídos por Mann percebem que ambos são arrastados por intempéries cotidianas semelhantes. Ainda, dentro da paisagem urbana desumanizante de Los Angeles azulada de Michael Mann, conexões emocionais genuínas são raras e passageiras.
"Quando se olha para o abismo, o abismo olha pra você."E é o que temos nessa cena, cada qual é o abismo do outro, e ambos estão se olhando mutualmente, para no fim perceber que, eles são nada mais que reflexos um do outro, não iguais, mas também não tão diferentes, frutos de uma realidade que “fabrica” homens quebrados.
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É isso, se vocês gostaram dessa nova abordagem, comente aí, deem sugestões, logo logo mais textos dessa série de análise de Cena estarão aqui.
E quem sabe, também um textinho especial? Esse filme de Michael Mann me deu uma ideia para um texto só sobre a relação de Michael Mann com a cor azul. :) bom, mas isso é um papo pra depois…Até logo!!!
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