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Quibi — Um diferente serviço de streaming que você não conheceu: Sua existência foi tão rápida e despercebida quanto o seu conteúdo

Atualmente estamos vivendo uma enorme ascensão de serviços de streamings, um mercado tão competitivo que o menor dos deslizes pode desencadear uma terrível queda, e consequentemente, a morte total do serviço. O Quibi é um dos mais recentes exemplos desse tipo de desastre.



O início de um sonho

Provavelmente você sequer tenha ouvido falar do Quibi, e não, você não foi o único. Lançado em 06 de Abril de 2020, (simultaneamente nos EUA e em território nacional) o serviço vinha com uma proposta um tanto quanto diferente se comparado aos outros serviços semelhantes. Com um mercado cada vez mais acirrado somado a entrada de nomes de peso como Warner, Apple, Disney, além das já bem consolidadas Netflix e Amazon Prime video, a ousada ideia do Quibi é que seu conteúdo seja produzido para ser consumido no Smartphone, conteúdos feitos para a pequena tela móvel, de curta duração para o rápido consumo.

Essa ideia não parece ser assim tão absurda se considerarmos alguns aspectos: Os celulares são quase onipresentes em nosso dia a dia e estamos sempre em busca de conteúdos curtos para serem consumidos enquanto estamos no Uber, em filas de atendimento…em qualquer situação tediosa que se resolva com um entretenimento rápido. O formato e material produzido e oferecido pelo Quibi foi feito fugindo do formato convencional de series e filmes, pensados em conteúdos episódicos de no máximo 10 minutos de duração, ideal para ser consumidos em qualquer hora e local. Na teoria, essa é uma boa ideia, mas na prática, não foi uma ideia tão boa assim.



O próprio nome do serviço já evidencia sua proposta: “quick” (ligeiro) e “bites” (pedaços). Sim, isso é mesmo parecido com o TikTok e outros tipos de serviços “midia rápida” que eu também costumo chamar de “conteúdo miojo”. Essa parece uma ideia típica de um universitário antissocial escondido em um quarto escuro, mas não, o Quibi nasceu em um ambiente oposto a esse. A empresa foi fundada por ninguém menos que Jeffrey Katzenberg. Katzenberg foi por 10 anos o presidente do conselho da Disney, e em sua saída da gigante do Mickey, fundou a DreamWorks. Ocupando o cargo de CEO da Quibi estava Meg Whitman, ex-CEO da HP. Já deu pra perceber que as cabeças por traz desse streaming não são nenhum universitário tentando a sorte. Com grandes nomes, as apostas foram tão grande quanto. Logo no inicio o Quibi recebeu a bagatela de quase US$ 2 bilhões em investimentos para financiar conteúdo original. Tanto o conceito ousado quanto os grandes nomes por trás, foram suficientes para atrair grandes nomes da indústria do entretenimento, nomes como Guilhermo del Toro, Steven Spilberg, Anna Kendrick, Jennifer Lopez, Liam Hemsworth, Sophie Turner, Maika Monroe…entre outros..

Para o primeiro ano do serviço, foram projetadas 175 produções originais, sendo 120 reality shows e documentários, 35 “filmes em capítulos” (era assim que eram descritos pelo serviço) e o restante eram “Daily Essentials”, material diário recheado de entretenimento e noticias. O preço do serviço no brasil era R$ 32,90. O preço nada atrativo é um dos motivos do flop no pais.



Deu Tudo errado

Como dito anteriormente, em teoria a ideia era incrível. Uma das inovações do Quibi em relação ao YouTube e o TikTok é a tecnologia que permite assistir aos vídeos tanto na vertical quanto na horizontal, num formato adaptável a sua tela. Infelizmente a realidade não foi das melhores. Logo no inicio, a baixa adesão do serviço já era uma pedra no sapato, nem mesmo boas produções e grandes artistas não foram suficientes para engrenar o serviço. Mesmo em baixa, nada parecia ameaçar a curta vida do Quibi, até que um grande vilão mostrou sua cara: A COVID-19. Com a pandemia, o conceito chave do serviço perdeu o sentido, já que as pessoas começaram a passar mais tempo em casa, era mais fácil e conveniente assistir algum outro conteúdo na TV do que ver conteúdos “pílulas” de 10 minutos. Esse foi um duro golpe, pois além das pessoas passarem mais tempo em casa, várias produções originais tiveram suas produções paralisadas.

Com seus baixos números de assinatura despencando ainda mais, o desespero bateu. No meio do olho do furacão Katzenberg tentou vender a companhia, não conseguindo vender para outra grande companhia do setor, partiu-se então para a segunda alternativa, vender o conteúdo original para outras plataformas de streaming na tentativa de pelo menos tentar recuperar uma fatia do investimento. Sem sucesso, tentaram direcionar o conteúdo para ser consumido também em TVs (Jogando de vez no lixo sua proposta inicial), lançando um aplicativo para Android TV, Kindle Fire TV, Apple TV. Depois de todas as tentativas de sobrevida, foi decidido a devolução de parte da verba aos investidores. Em 21 de outubro de 2020 o Quibi anuncia seu fim, concluído sua curta vida de apenas 6 meses em atividade.

E agora??

Culpar apenas a pandemia por esse fracasso é deixar de lado e ignorar fatores importantes que o levaram a esse fim. A ganância aliada a má avaliação do mercado foram os pontos que mais dificultaram a vida do Quibi. O serviço muito específico em um mercado de massa, é um tanto quanto complicado, ainda mais devido o alto preço cobrado. Agora, que fique de alerta tanto para as companhias, tanto para o consumidor final: Um “crash” da indústria dos streamings está cada dia mais eminente, sua saturação não traz nada de positivo para ambos os lados.

Eu & Quibi

Em meados de setembro de 2020 eu o testei por apenas 1 mês e acho válido expor minhas considerações pessoais acerca do serviço e de duas de suas produções.

The Stranger (2021)


The Stranger é um “filme em capítulos”. Sua narrativa total equivale a um filme de 90 minutos, tendo 9 episódios divididos em episódios de em média 10 minutos.

Sinopse: uma jovem motorista despretensiosa de carro compartilhado é jogada em seu pior pesadelo quando um misterioso passageiro de Hollywood Hills entra em seu carro. Seu terrível e emocionante passeio com o estranho se desenrola por mais de 12 horas, enquanto ela navega pela grande Los Angeles em um jogo arrepiante de gato e rato.
Com direção de Veena Sud e protagonizado por Maika Monroe e Dane DeHaan o filme é um ótimo suspense, mas que, na minha opinião, funcionaria melhor como um filme convencional e não episódico, pois senti brevemente que o clima de tensão era quebrado no curto tempo de transição de um episódio a outro, porém, é ainda assim uma produção que vale o play.

Wireless (2021)


Wireless é um outro “filme em capítulos” Quibi, mas diferentemente de “The Stranger”, Wireless tem uma narrativa soturna e bem dinâmica cujo modelo episódico contribui para o crescente clima de tensão já que cada episódio é dividido de acordo com a carga de bateria do celular do personagem. Com Tye Sheridan e seu celular, Wireless foi uma grata surpresa.

Sinopse: Quando um estudante universitário (Tye Sheridan) sofre um acidente de carro e fica preso nas montanhas do Colorado, sua única esperança de ser resgatado está no celular, que cada vez mais vai ficando sem bateria.
O mais interessante na narrativa é que o que acompanhamos em tela em alguns momentos é a própria interação do personagem com seu celular. Assistir a isso em uma tela de celular aumenta ainda mais nossa imersão.

Enfim...

Realmente, o Quibi tinha conteúdos excelentes, mas infelizmente pouco nadou e acabou morrendo na praia. Acabou que se tornou um grande exemplo do que não fazer, pois uma torrente de decisões erradas, juntamente com o momento errado foi um fim para o pequeno que tentou ser grande e deu um passo maior que a perna.

Caso você queira assistir a alguma dessas produções mencionadas aqui, você poderá encontrá-las para download (Não sei se com o fim do serviço, isso ainda seria pirataria hahaha, mas, fazer o quê né?!)
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