No seu sexto episódio, a série da HBO encontra a sua carga emocional mais densa no impacto da perda de Hal Jordan e no confronto inevitável entre o passado e o presente.
Há uma linha muito ténue no drama televisivo contemporâneo entre permitir que o luto respire e a urgência desenfreada de manter o espetáculo em movimento. Chegamos ao sexto episódio de Lanternas, e a narrativa desacelera o ritmo das investigações para confrontar as feridas abertas deixadas pelos acontecimentos recentes. O resultado é um capítulo profundamente melancólico, que funciona quase como uma espécie de "carta de despedida de Hal Jordan", um herói morto jogado a escanteio com uns 3 gatos pingados comparecendo ao seu funeral e enterro. Mas ainda permanecemos com a pulga atrás da orelha: Hal Jordan realmente morreu??
A ausência e a melancolia
O maior triunfo deste episódio reside na forma como aborda a figura de Hal Jordan não como um mero ícone de uma HQ, mas como uma sombra que assola John Stewart desde a sua infância. A transição de Stewart de um recruta hesitante a um homem encarregado de carregar o fardo de um legado fraturado ganha uma densidade emocional que ainda não tínhamos visto na temporada.
A direção opta por planos mais demorados, enquadramentos que isolam as personagens no espaço urbano decadente e uma paleta de cores que abandona momentaneamente o brilho cósmico em favor de tons terrosos e sombrios. O luto aqui dói porque é palpável; sente-se na hesitação de cada gesto e no silêncio entre os diálogos.
Guy Gardner e a ironia do novo "Escolhido"
Se há um elemento que chamou a atenção nesse episódio, é a introdução de Guy Gardner (Nathan Fillion) à série. A chegada do novo Lanterna Verde traz uma fricção dinâmica, que balança entre o alívio cômico e o confronto ideológico, servindo como o espelho perfeito para o estado de espírito de John Stewart.
Preocupado primordialmente com a gestão da sua reputação e com a "má impressão" que investigar o assassinato de um ex-membro da Tropa poderia causar, Guy encarna a banalidade institucional que John sempre rejeitou. O embate entre os dois na cela da delegacia produz um dos momentos mais afiados do capítulo, atingindo o auge quando Stewart o encurrala com a realidade: "Guy, você só tem o que tem porque EU não aceitei".
Ao pressionar Gardner a arriscar-se perante os Guardiões para resgatar o uniforme e o anel desativado de Hal no planeta Oa, John não exige apenas um funeral digno para o seu antigo mentor, ele força o novo e vaidoso lanterna a reconhecer o peso do fardo que herdou devido a rejeição de John.
O excesso de subtramas
Embora o episódio já sustentasse um conflito central poderoso, a narrativa insiste em se dispersar em subtramas secundárias. A chantagem promovida por Maggie, ao exigir US$ 300 mil de John, consome um tempo de tela desproporcional para uma linha narrativa desprovida da mesma força emocional. O mesmo ocorre no arco do pai de John na casa de repouso, expulso após disparar pela janela, e nas manobras de Marcus com o coronel do Exército isso parece mais uma tentativa de encher linguiça do que contribuir narrativamente. Ainda que sirvam como ganchos para o futuro da temporada, aqui funcionam mais como distração. Como resultado, até a revelação sobre Kerry e Hal precisa disputar espaço com tantas frentes abertas, um desperdício, visto que a exploração do luto, da culpa e do ressentimento já oferecia carga mais do que suficiente. Mas algo me fez pensar: será Maggie apenas uma personagem para encher linguiça na narrativa, ou terá real importância no decorrer da série?
Perspectivas para a reta final
Com esta interação marcante entre John e Guy, o sexto episódio estabelece as bases emocionais vitais para o clímax da temporada. A dinâmica entre a investigação na Terra e as implicações do setor cósmico ganha um foco muito mais humano, provando que o tom de mistério policial de vibe noir continua a ser o maior foco desta primeira temporada.
Lanternas entrega um capítulo sólido e indiscutivelmente necessário. Ao aceitar a vulnerabilidade dos seus heróis, a série lembra-nos de que a verdadeira coragem não nasce da ausência de medo ou dor, mas da capacidade de caminhar através deles. E pelo que se sabe do episódio 7, será inteiramente focado em Hal Jordan.
Até semana que vem...
Agora só uma observação sem nenhuma pertinência assim como algumas coisas desse episódio
Hannah Christine Shelter, a Maggie... existem teorias de que ela tenha uma certa importância nesse universo da DC, talvez uma possível heroína... inclusive, não pude deixar de reparar... Que mulher bonita!! Seria ela a pessoa que atirou em Hal Jordan???? Bem que eu também não confio no Noah?! Veremos...
1 Comentários
Aaaah amo o seu jeito de escrever.
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